QUEM É O MC GUI? DOS DEZ ANOS ESCREVENDO LETRAS AO DEBATE POLÍTICO

O texto-âncora do site: a história completa, contada na primeira pessoa.

Eu tinha dez anos quando comecei a escrever letra de funk em casa, ao lado do meu irmão. Não era plano de carreira. Era o que dava para fazer com o que a gente tinha: papel, caneta e a batida que vinha da rua.

Ninguém ali imaginava que aquilo viraria profissão. Na periferia, a gente não cresce achando que vai viver de arte. Cresce achando que arte é o que se faz depois do trabalho — quando sobra tempo, e quase nunca sobra.

Antes dos quinze, já era trabalho

Transformei a música em profissão antes dos quinze anos. Isso significa que eu era adolescente aprendendo a negociar cachê, a entender contrato, a lidar com adulto que achava que menino de quebrada não sabia contar dinheiro.

Em 2013, "O Bonde Passou" alcançou o país inteiro. De uma hora para outra, o nome de onde eu venho estava tocando em lugares que nunca tinham ouvido falar da minha rua. Não foi sorte: foi o acúmulo de anos escrevendo, gravando e batendo em porta.

Depois vieram as parcerias, a televisão, os palcos de todo o Brasil. E veio também o outro lado, que eu não vou fingir que não existiu: o erro, a exposição, o aprendizado que só chega quando você erra na frente de muita gente. Cresci em público. Isso cobra um preço, e eu paguei.

O automobilismo me ensinou o que a música não tinha ensinado

Em 2023 fui campeão da categoria Special Edition AM na Sprint Race, com quatro vitórias na temporada. Muita gente achou que era hobby de artista. Não era.

Automobilismo é o esporte mais implacável com quem improvisa. Você pode ter talento, mas se não tiver disciplina, preparo e equipe, o cronômetro te expõe em segundos. Aprendi ali uma coisa que carrego: resultado é método, não inspiração.

E aprendi outra, mais importante. Eu só cheguei naquele grid porque a música tinha me dado estrutura. Se eu dependesse só de onde nasci, aquele lugar nunca teria sido meu. É exatamente esse o problema que eu quero atacar.

Por que eu entrei na política

Em maio de 2025 eu me filiei ao PSD. Muita gente perguntou o motivo. A resposta é simples: eu já fazia, na prática, o que política pública deveria fazer em escala.

Quando você vem de onde eu venho e consegue chegar em algum lugar, aparece muito jovem te perguntando como fazer. E a resposta honesta é desconfortável: parte do que aconteceu comigo dependeu de porta que se abriu por acaso. Talento não faltava para os outros meninos da minha rua. Faltou oportunidade.

Política pública existe justamente para isso não ser acaso. Para que a chance não dependa de CEP, de sorte ou de conhecer a pessoa certa.

O que eu levo para esse debate

Não levo diploma de gestor nem currículo de gabinete. Levo a experiência de quem foi o jovem de quem essas políticas falam, e que hoje conhece por dentro dois setores que empregam muita gente e são tratados como se não existissem: a cultura periférica e o esporte.

Sei o que é ser tratado como barulho. Sei o que muda quando alguém te trata como profissional. É essa diferença que eu quero transformar em lei, em orçamento e em programa que chega no bairro.

Essa caminhada começou com um menino de dez anos escrevendo letra em casa. Ela continua.